Tudo o que aprendi sobre Yoga com cavalos

Escrito por

Nadia Asencio, professora de yoga, cavaleira e apaixonada pela natureza

Esses dias, andando a cavalo, fiquei pensando em como é difícil descrever essa relação para quem o vê como um “passeio”, e como eu poderia, ao menos tentar explicar, considerando o ponto de vista de uma praticante de yoga e apaixonada por cavalos.

Pensei então em todos os Yamas do yoga, que são os princípios éticos da prática, e como eu enxergo essa relação com o animal dentro de cada um desses 5 ensinamentos.

Um cavalo responde à suavidade e não à força. Para se relacionar com ele, é preciso reduzir tensões, abandonar a rigidez e soltar o controle excessivo.

É a forma como você se relaciona, não só fisicamente, mas mentalmente e emocionalmente.

Quando o corpo relaxa e a respiração desacelera, o animal sente. Isso é Ahimsa.

Cavalos não respondem muito às palavras, mas sim, ao nosso estado interno.

Não tem como mentir.

Se há medo, ansiedade ou pressa, eles sentem.

A conexão com o cavalo é um convite à honestidade. Isso é Satya.

Estar com o cavalo pede respeito ao tempo e ao limite dele.

Não exigir da sua energia e desempenho para além do que cada momento comporta: existe uma troca - não uma imposição. Isso é Asteya.

Economia de gestos: cavalgar pede pequenos movimentos, intenção clara e presença. Quanto menos excesso, maior a sintonia. É sobre canalizar a energia, e não dispersá-la. Isso é Brahmacharya.

Com o cavalo, a segurança surge quando se abandona a tentativa do controle.

É sobre guiar e ser guiada.

Soltar o corpo, a expectativa e o medo: confiança mútua.
Há um estado contemplativo em que matéria, ritmo e ambiente começam a fluir juntos. Isso é Aparigraha.

Tem algo profundamente silencioso na relação com o cavalo.

Aprender a se relacionar através de uma comunicação sensorial, é uma percepção extremamente refinada sobre si e o outro.

Uma sensação de voltar pra algo muito antigo, onde humano, animal e natureza não estavam separados entre si.

Uma troca sutil. Presente na respiração, na tensão do corpo, na confiança.

É sobre aprender observando, e quando isso acontece, inevitavelmente, você olha pra dentro.

Andar a cavalo não é um passeio, não é um turismo.

Você está sendo guiada, de todas as formas, inclusive pra aprender a guiar também. E se você entendeu isso, você entendeu sobre a relação com um cavalo.

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