Patagônia a cavalo: quatro dias no ritmo da natureza
Escrito por:
Carolina Penha, cliente, escritora e amiga.
Quando você pensa em viajar pela Patagônia, o que vem à cabeça?
Montanhas imensas, frio de rachar, lagos azul-profundo de água de degelo e florestas que parecem não ter fim?
Nossa viagem ao norte da Patagônia argentina, na província de Neuquén, teve quase tudo isso — só faltaram os pinguins.
Chegamos a San Martín de los Andes e passamos a primeira noite à beira do lago, respirando aquele ar frio e cristalino que parece anunciar que algo especial está prestes a começar. No dia seguinte, seguimos rumo a uma estância remota às margens do rio Quillén. Ali começava a parte mais aguardada da jornada: quatro dias de cavalgada por paisagens praticamente intocadas.
Atravessamos bosques de araucárias centenárias, vales silenciosos e montanhas que pareciam se estender infinitamente no horizonte. Dormimos em acampamentos no meio da natureza e, pouco a pouco, fomos aprendendo a nos mover no ritmo dos cavalos — e do próprio lugar.
Os dias começavam cedo, com um frio digno de estação de esqui e um café da manhã revigorante antes de horas cavalgando por trilhas que se tornavam cada vez mais desafiadoras e surpreendentes. Cada curva revelava uma nova paisagem, cada subida recompensava com vistas ainda mais grandiosas.
Ao final da tarde, chegávamos aos acampamentos: refúgios acolhedores em meio à natureza, com o rio correndo por perto, a luz dourada do entardecer pintando as montanhas e um céu estrelado tão intenso que quase esquecemos como ele pode ser assim. Junto com cada chegada, uma boa mesa de frios e aperitivos ao nosso dispor.
As noites eram reservadas para o ritual que sempre encerra bem um dia de aventura: vinho, pratos locais, histórias e música ao redor da mesa, compartilhados com os donos da estância — pessoas que talvez nunca mais encontremos, mas que saíram da viagem com a familiaridade de velhos amigos.
No fim, foi uma daquelas experiências que aquecem o coração. Dias sem internet, muitos brindes com vinho argentino, algumas dores musculares inesperadas… e a lembrança de que viajar, mais do que colecionar paisagens bonitas, é colecionar histórias.
Histórias que voltam com a gente para casa — e que continuam nos acompanhando muito depois da viagem terminar.